sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Festa do Avante: Momentos ... de Sexta-Feira.

Exposição Rogério Ribeiro. Artísta plástico português. Uma das figuras homenageadas na presente edição da Festa do Avante.








Fotos de Bruno Rodrigues Martins
















Festa do Avante: S. Pedro "junta-se" aos militantes na Atalaia

A abertura da 32º edição da Festa do Avante foi pacífica. Tanto no que diz respeito à afluência de público no recinto da Atalaia, como por parte de quem, voluntariamente, trabalhava para receber as largas centenas de pessoas que se deslocaram cedo para o recinto da Festa.

Por Bruno Rodrigues Martins




A união e camaradagem em torno da militância comunista – imagem de marca da Festa do Avante –, falou mais alto. Prova de tal, foi a atitude vincada das largas centenas de pessoas que, debaixo de chuva intensa, saudaram as palavras de Jerónimo de Sousa, líder do Partido Comunista Português (PCP). "Camaradas e amigos, está a chover, mas quem, como nós, tem que fazer boa cara ao mau tempo da situação política, melhor cara fará a este momento de chuva fazendo mais uma grande Festa do Avante!", disse Jerónimo de Sousa. No discurso oficial de abertura da Festa do Avante, o secretário-geral do PCP lançou duras críticas ao Executivo de Sócrates e prometeu "mobilizar os trabalhadores contra as inaceitáveis propostas de alteração do Código do Trabalho", apresentadas pelo Governo do PS.


Na ressaca do forte temporal que agitou bandeiras, mas não calou gargantas, todos os abrigos foram poucos para escapar à chuva intensa que caiu noite dentro. Joana, de Guimarães, e Tânia, de Sintra, não deixaram que a chuva incomoda-se, até porque, essencialmente, está em primeiro lugar o “contributo para o partido”. No que toca à música, o cartaz "agrada", sobretudo quando se fala em Xutos & Pontapés e Kumpania Algazarra. Apesar disso, ambas são peremptórias no desejo de ver "caras novas" no cartaz, uma delas Moonspell.

Mau Tempo estraga "negócio": Devido às condições climatéricas, muitos dos eventos do programa cultural foram cancelados. Um dos quais, a sessão de ópera, preparada no Palco 25º de Abril, que vê a sua estreia na Festa do Avante adiada por falta de condições atmosféricas. Outros espectáculos nocturnos, tais como alguns concertos no Palco Juventude e no Palco Novos Talentos, foram igualmente cancelados. Nas tradicionais "tasquinhas", a azáfama de servir quem tinha fome e sede, misturada com os problemas que a chuva trouxe a algumas instalações, não ajudou em nada a tarefa de quem trabalhava. A chuva fez alguns "estragos" e deu "algum prejuízo", como partilhou Rui Paulino, de Castro Verde, representante da Região de Beja. Para amanhã, Sábado (2ºdia), espera-se que o tempo ajude à Festa, a começar logo pela manhã, no espaço do Avanteatro (11h00).

Festa do Avante: Arrancou hoje a grande festa da rentrée do PCP.

Sexta-feira, dia 5 de Setembro. O dia correu frenético no Concelho do Seixal, em especial na freguesia da Amora. Enquanto o sol tentou romper por entre as nuvens de Setembro que ameaçavam chover a qualquer momento, a cidade enche-se de gente apressada e de malas feitas. O caso não era para menos, já que a localidade foi, momentaneamente, invadida pelo “mundo”. Por toda a zona, nos locais públicos, nos transportes, nas ruas e nos principais acessos rodoviários, o fluxo de pessoas e trânsito aumentou à medida que se aproximou a hora de abrir portas a uma das maiores festas do país. A Festa do Avante já começou e está a mexer com tudo à sua volta.

Por Bruno Rodrigues Martins

Começou hoje a tão desejada 32ª edição da Festa do Avante. De todos os cantos do país e do mundo chegam (ainda) pessoas de malas aviadas, preparadas para viver na “Cidade do Avante” durante os próximos 3 dias. Há música e festa para (quase) todos os gostos e um vasto programa cultural à espera de ser conhecido e visitado. Algo que explica, em muito, a grande afluência de público ao evento que, apesar da sua conotação política, não deixa de constituir-se como uma grande festa multicultural. Organizada pelo Partido Comunista Português (PCP), desde o ano de 1976, a Festa do Avante é tida como a maior iniciativa política, cultural, artística e populacional do país. Este ano, como habitual, existem inúmeros espaços temáticos para visitar, aos quais se junta um vasto programa de exposições, música, teatro e debates políticos, um dos quais em torno do novo Código do Trabalho. A luta contra o Código do Trabalho, apresentado pelo Governo e que será debatido dia 18 de Setembro no Parlamento, é um dos temas centrais da festa, com um debate e o lançamento de uma campanha nacional contra as mudanças na legislação laboral. Á noite, além da grande Gala de Ópera – uma estreia no palco 25 de Abril –, está agendado um debate sobre o XVIII congresso nacional do PCP, com João Frazão e Jorge Cordeiro, da Comissão Política. Para Sábado, o grande destaque vai para a homenagem ao Nobel da Literatura e militante comunista, José Saramago, e para o falecido Rogério Ribeiro, artista plástico, também ele militante. Na música, os principais destaques vão para as actuações de Júlio Pereira, Da Weasel, Mind Da Gap, Xutos e Pontapés e para o fadista Camané. Além das tradicionais actuações de vários grupos folclóricos portugueses, destaque também para Kumpania Algazarra, Nuno Mindelis, Pedro Jóia, Terrakota e Wraygunn.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Festa do Avante 2008 - programa do Palco 25 de Abril

Sexta-feira, 5

a partir das 21h00

Grande Gala de Ópera



com obras de Verdi, Mozart, Rossini, Bizet, Puccini, Leoncavallo, Bellini e Gershwin
interpretados pela Orquestra Sinfónica do Ginásio Ópera e Coro Lisboa Cantat


Sábado, 6

15h00 - X-Wife
16h00 - Mind Da Gap
17h00 - Galandum Galandaina e Toques do Caramulo
18h30 - Kumpania Algazarra

19h30 - Coal Porters
«Formados em Los Angeles, o The Coal Porters tinham originalmente uma sonotidade eléctrica. Após a sua mudança para Londres e de se terem verificado alterações na sua composição, iniciam-se em sons mais acústicos. Em várias digressões, nos EUA e na Europa, foram reforçando o seu prestígio junto do público e da crítica»

20h30 - Nuno Mindelis & Blues Big Band

«Nascido em 7 de Agosto de 1957, em Cabinda, Angola, Nuno Mindelis apaixonou-se pela guitarra logo aos cinco anos de idade. Aos nove, já tocava instrumentos construídos por ele próprio. Nessa época, ouvia Otis Redding, Booker T & The MG's, composta por Steve Cropper, Donald "Duck" Dunn e Al Jackson. Nuno admira estes músicos até hoje, e reconhece-os como uma influência importante no seu estilo»

21h30 - Vieux Farka Touré

«Desde a sua infância - que passou por Bamaco, capital do Mali, e por Niafunké, no deserto do Sahara - Vieux Farka Touré foi profundamente influenciado pela música do seu pai Ali Farka Touré. (...) Em 1999, Vieux decide tomar o destino nas suas mãos e ingressa no Instituto Nacional de Artes de Bamako. Ali descobre o seu verdadeiro chamamento quando pega na guitarra e começa a compor a sua própria música. Quando termina os estudos, o músico já era conhecido como um virtuoso da guitarra, conseguindo, na perfeição, emular a forma de tocar do seu pai»

22h30 - Júlio Pereira

«O novo disco "Geografias" marca o reencontro de Júlio Pereira com os palcos. Na Festa do Avante vai soar o virtuosismo do músico que revolucionou o panorama da música instrumental portuguesa»

23h30 - Da Weasel

«Estiveram na Festa do Avante em 2002 e 2005, ano que para os Da Weasel abriu um ciclo de amadurecimento, a entrada numa nova etapa. (...) Em 2008, para os Da Weasel não estamos no final de mais uma etapa da história da banda, mas apenas no princípio de mais um capítulo de um livro ainda com muita tinta por correr.»


Domingo, 7

14h30 - Terrakota
15h30 - Wraygunn
16h30 - Moncada (Cuba)
«Criado em 9 de Outubro de 1972, na Universidade de Havana, o desempenho musical dos Moncada sempre esteve ligado aos maiores concertos realizados em Cuba. Na primeira linha dos grandes acontecimentos políticos da Revolução Cubana ao longo destes anos, esta banda mistura música da trova e a canção de intervenção com as mais modernas sonoridades que atraem diferentes públicos»

18h00 - Comício

19h30 - Big Band do Hot Club de Portugal
«Nascida na sequência de uma série de workshops orientados entre 1986 e 1991 (...) a orquestra é formada por 17 músicos e apresenta uma formação instrumental semelhante às grandes big bands internacionais, incluindo nas suas estantes alguns dos melhores solistas de jazz portugueses. A Big Band do HCP trará à Festa um repertório clássico constituído por grandes êxitos do período do swing»

20h30 - Xutos& Pontapés
com Rock & Roll Big Band

«Dispensando apresentações, a maior e mais importente referência do rock nacional renova a sua presença no Palco 25 de Abril (...) Para dar ainda mais som e brilho ao espectáculo, os Xutos estarão acompanhados pela Rock & Roll Big Band, uma orquestra composta por saxofones, trombones e trompetes, dirigida pelo maestro e intérprete de jazz, Pedro Moreira»

(Informação retirada do programa oficial da Festa do Avante 2008)

Festa do Avante 2008 - programa do Auditório 1º de Maio

Sexta-feira, 5

21h00 - André Cabaço
22h00 - Eneida Marta
23h00 - Tabanka Djaz



Sábado, 6
14h30 - Skalibans

«Banda de Almada que se identifica de um modo geral com a sonoridade Punk/Ska/Reggae. (...) A motivação principal da banda é tocar ao vivo, pois é da experiência e do contacto com o público que esta assenta a sua essência»


15h30 - Fado Morse
«Cruza várias estéticas da música moderna com a música tradicional portuguesa, obtendo uma sonoridade inovadora e surpreendente»
16h30 - Navegante com Amélia Muge, Mimo Epifani (Itália), João Afonso, Rui Júnior e Ttukunak (País Basco)
18h00 - Tucanas



19h00 - Krissy Mathews




20h00 - Chad Dughi
«Compositor e intérprete de música tradicional norte-americana, Chad Dughi passa actualmente a maior parte do seu tempo na Irlanda, onde toca com a nata dos músicos folk daquele país. Freedom (Liberdade) é o seu segundo álbum, que contém canções originais e versões de Wody Guthrie. O disco reflecte as suas deambulações pela América do Norte e pro vários locais da Europa, revelando uma especial atenção à situação política do seu país»


21h00 - Telectu com Jonas Runa e Steve Noble
22h00 - Júlio Resende Quarteto

23h00 - Pedro Jóia


24h00 - Camané
«Está este ano de regresso aos originais gravados em disco, aos originais interpretados em palco! (...) No Auditório 1º de Maio, Camané e músicos vão partilhar muitos momentos mágicos com quem estiver presente para escutar... em sintonia, a verdade do fado, a verdade da emoção!»


Domingo, 7
14h30 - Faith Gospel Choir
15h30 - Mu
«Misturando sons do acordeão ao didgeridoo, do tarang à flauta, fundidos com percussões, contrabaixo, violino, violoncelo, morharpa e bouzouki, os MU garantem muita animação e alegria»
16h30 - Xaile
«Juntam a música tradicional portuguesa com sonoridades tão distintas como o funk, o jazz e o hi-pop. Uma mistura que o torna um projecto único em Portugal»

19h30 - André Fernandes Quarteto
com Mário Laginha


20h30 - David Binney Quintet com Mark Turner
«Considerado um dos mais proeminentes saxofonistas actuais, David Binney conquistou o ano passado, não por acaso, o primeiro lugar na categoria Rising Star Alto Sax nas votações dos leitores e críticos da Down Beat, e prestigiada revista norte-americana da especialidade.»

(Informação retirada do programa oficial da Festa do Avante 2008)

Armindo Rodrigues - O poeta do lirismo que nos interroga e inquieta



(artigo de Domingos Lobo, publicado no semanário Avante! )


A primeira abordagem que fiz à poesia do Armindo Rodrigues foi através de José Gomes Ferreira. Teria eu, por essa altura, os meus treze anos e já muito descaramento. Encontrava o autor de Eléctrico à mesa do Monte Carlo (os poetas que eu admirava, nesse tempo, frequentavam cafés como o comum das gentes, não arvoravam poses de vedetas em transe, nem eram empertigados inacessíveis) e impingia-lhe os meus trôpegos poemas. À mesa, o José Gomes – com o Carlos de Oliveira, o Abelaira (nem sempre), o Mário Castrim – lia a coisa e determinava solene: Este, Castrim, merece publicação no teu Juvenil.


Numa dessas manhãs de fuga ao liceu, o José Gomes Ferreira recomendou-me, para te afastares desse romantismo imberbe, rapaz, leituras de poemas de Armindo Rodrigues e Manuel da Fonseca.
A biblioteca das Galveias, meu poiso habitual de leituras por grosso tinha, nos fundos perdidos de uma estante, dois livros do Armindo Rodrigues: A Vida Perto de Nós e Paz Interior. E foi uma descoberta tão esfuziante, tão emocionada, que me recordo de ler aos meus amigos, como eu igualmente deslumbrados pela claridade rasante daquela escrita, nessa mesma noite, uma série de poemas de Paz Interior.
Com os poemas do Manuel da Fonseca tive menos sorte: só um ano e picos depois do José Gomes mo ter recomendado é que consegui ler Rosa-dos-Ventos, numa velha edição que o meu amigo Vladimiro Franklin trouxera de Santiago do Cacém e que guardava religiosamente. Essa usura púbere não nos impediu de irmos parar à esquadra de Santa Marta por andarmos a ler, a desoras e aos berros, em plena Avenida da Liberdade, o poema Domingo.
O novo que a poesia de Armindo Rodrigues nos revelava, não era de estilo ou de ruptura (havia então, um tanto por culpa da Presença, e ainda hoje persiste na literatura portuguesa, a estranha obsessão do estilo, vertigem essa que tenta esconder, na maior parte dos casos, o vazio de pensamento) era, sobretudo, de conteúdo. A poesia de Armindo Rodrigues abria ao pensamento e à reflexão, ao questionar-se, ao interrogar-se, o poeta interrogava-nos. Era, desse modo, em sua orgânica substância, uma poesia incómoda e subversiva, alheia, no entanto, aos modismos panfletários cuja exaltação raramente correspondia a uma coerente e efectiva maneira de estar na vida (e na poesia) dos seus autores.


A memória e a esperança às vezes dão-se as mãos.
São as horas cruciais em que o mundo desperta.
Então, só os homens vãos é que não são irmãos.
Então, nem uma porta há que não seja aberta.

in «Sabor do Tempo».


Da têmpera de que são feitos os homens de coragem, de «antes quebrar que torcer», Armindo Rodrigues cedo assumiu a sua condição de opositor ao fascismo, cedo ergueu a sua voz indignada contra a opressão, cedo conheceu as masmorras da PIDE. Essa sua postura cívica está patente nos últimos versos do belíssimo poema – eivado de nostalgia pelos caminhos da infância, de resto, só tenho saudades do futuro, escreveu nas suas memórias – no qual o poeta evoca o avô, lutador contra a Monarquia, e relembra uma visita ao Alentejo, espaço mítico (esse chão vermelho) que ocupa um lugar sentido (e sofrido), em diversos poemas da sua vasta obra: Meu avô/tem confiança/na decisão do teu neto,/que nunca te negará/nem baixará o olhar,/mesmo que o ponham de rastos,/mesmo que o queiram matar (2). Esta postura de coragem, reflecte o carácter vertical do poeta, médico e comunista, que Armindo Rodrigues sempre foi no percurso de uma longa, singular e profícua existência de quase 90 anos (1904-1993).


Para as novas gerações, para aqueles a quem, de forma insensata e suicida, os poderes instalados tentam expurgar a memória do que foram os 50 anos de fascismo (e não basta, por muito meritórios, importar modelos televisivos, para que a memória cumpra o seu dever histórico de esclarecer e inquietar) e que, hipocritamente, vai permitindo que neste vazio ideológico alguns saudosistas e revanchistas travestidos de democratas, pretendam erguer em Santa Comba Dão (terra que não tem culpa que os ditadores nasçam em seu chão) um monumento ao fascismo, que se tornará, a ser construído, santuário para romagens de agravados de todos os cantos da Europa reaccionária, recomendo o livro de memórias de Armindo Rodrigues, livro a vários títulos notável, que o poeta escreveu em final de vida, intitulado Um Poeta Recorda-se (Edições Cosmos). Se o desnorte intelectual e pedagógico não campeasse ufano pelas ministeriais cabeças da 5 de Outubro, este livro há muito seria de leitura recomendada no ensino secundário (e O Irreal Quotidiano, Gaveta de Nuvens, O Sabor das Trevas, de José Gomes Ferreira).
Mas a memória, sobretudo a do período mais negro do salazarismo, é para esquecer não vá o Povo começar por aí a congeminar e não descobrir, no conteúdo das políticas, grandes diferenças entre o fascismo e esta socrática democracia.


Do poeta solidário, questionador insubmisso da realidade portuguesa, sabemos-lhe os versos, apesar das tentativas subterrâneas de escamoteamento – os versos estão aí publicados, perfazendo 24 títulos, sem esquecer a notável antologia organizada por José Saramago, O Poeta Perguntador – versos que continuam a incomodar, vivos de denúncia e actualidade: lá fora o calor abrasa./Aqui em casa, está fresco,/e para aumentá-lo ainda/regou-se o chão de ladrilho./Mas é aqui que o calor/lá de fora me entorpece/é lá fora que os meus sonhos/se sonham, ermos e aflitos (3).


Dos sonhos de Armindo Rodrigues, dos sonhos que sonhamos acordados, vividos na rua, ungidos na luta, estamos prenhes, até porque a realidade deste país continua a convocar-nos a indignação e a revolta e, por isso, com o poeta estamos nessa denuncia amarga e a cada dia mais urgente: E o futuro começou com a Revolução mais grandiosa e profunda de que a Humanidade, na sua convulsa história foi capaz, e continua, e há-de continuar a frutificar, onde quer que a injustiça, a infâmia e a exploração campeiem, para final triunfo da igualdade, condição sem a qual a liberdade é vácua, e desespero de todos os grandes capitalistas poderosos e sem escrúpulos, e os seus lacaios arrogantes e sem vergonha. Só isto não vê quem teima em ser cego, e prefere à fraternidade franca a ganhuça sórdida, à paz universal a opressão e a sangueira, ao progresso efectivo para todos a sua exploração em benefício de alguns, ao trabalho o desemprego, à abundância a fome, à cultura a ignorância, ao amor o ódio (4).
Armindo Rodrigues é o poeta da palavra exacta, certeira, lisa e dúctil, onde perpassa a essência da vida e do sentido mais extenso da fraternidade e do pensamento num mundo outro e melhor, com a firmeza das convicções, mesmo quando o rumor da dúvida existencial as percorre indelével:



RUMO

Ergue-se
do mundo
em mim o que sou.
Estou talvez só.
Mas com decisão
na dor o aceito.

Que importa o rumo
por que sigo
ser imperfeito?

Exacto e duro,
tudo procuro
compreender.
Pensar é ir.
Ir é ser. (5)



Um poeta a descobrir, a redescobrir, de pé, com os sentidos bem despertos, como o José Gomes Ferreira fez comigo há quarenta e muitos anos – um poeta que traz, no atilho das palavras ainda urgentes, o futuro aceso.



(1) – Literatura e Luta de Classes – de Augusto da Costa Dias (Editorial Estampa)

(2) – Romanceiro e Canções de Um Menino Perdido – Armindo Rodrigues (Soc. de Expansão Cultural)

(3) – idem

(4) – Um Poeta Recorda-se – Armindo Rodrigues (Edições Cosmos)

(5) – A Esperança Desesperada – Armindo Rodrigues (Soc. Expansão Cultural)


Domingos Lobo

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Festas Populares de Corroios 2008

Recinto da festa e concertos de Blasted Mechanism e UHF...