Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Jovens Poetas Vadios: um novo movimento poético


Jovens Poetas Vadios é um grupo de novos autores que, a partir de Almada (e das sessões mensais de "poesia vadia" realizadas nesta cidade) querem cativar os mais novos para a poesia e para uma noção inconformista do que pode ser a cultura. E assumem-se, decididamente, como um movimento nascido para contrariar o «envelhecimento da poesia que se faz em Portugal»


Começaram como um pequeno grupo de frequentadores das sessões de "poesia vadia", no Café com Letras, em Cacilhas, em 2006.
Hoje são mais de duas dezenas de jovens e querem criar um movimento abrangente, onde todos tenham oportunidade para manifestar as suas expressões poéticas. Na escrita, mas também na música ou em artes como a pintura ou a expressão dramática...

Didier Ferreira, um almadense de 23 anos, estudante de Direito, foi quem teve a iniciativa de convidar outros jovens a assistir às sessões mensais de "poesia vadia", dinamizadas por Ermelinda Toscano e pelo colectivo Poetas Almadenses - sessões que, em 2006, se realizavam ainda no Café com Letras, em Cacilhas. Mas, porque «as pessoas desconheciam» essas sessões, teve dificuldade em convencer jovens para lá ir. Por isso, falou com dois amigos e, em conjunto, decidiram avançar com um «movimento» para o qual querem cativar os novos autores - e incentivá-los a publicar os seus textos - mas também mostrar que a poesia é mais do que aquilo que, normalmente, se imagina.

O rap, por exemplo, «é poesia, mesmo que quem o pratica não assuma isso» defendem.

«Porque a poesia não é só o acto de escrever um poema. É muito mais do que isso: é a canção do músico, pois quem escreve acaba por ser um jovem poeta porque a música tem muito de poesia. A pintura também está muito ligada à poesia, também é uma forma de expressão da poesia. Ou seja, ser um jovem poeta vadio não é pertencer a um grupo, mas sim uma forma de estar», sustenta Didier Ferreira.

É com esta atitude abrangente que os Jovens Poetas Vadios se apresentam.

Apoiados pela associação O Farol, revelaram o projecto, primeiro na Escola Secundária de Cacilhas e, em Janeiro de 2009, apareceram com um caderno de poesia colectivo (incluído na colecção Index Poesis, dos Poetas Almadenses), lançado durante uma sessão de "poesia vadia" no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada.

Na ocasião, leram os seus poemas, distribuiram uma ficha de inscrição para que os jovens, até aos 30 anos, possam fazer parte da "base de dados" e participar nas actividades dos Jovens Poetas Vadios. Mas o objectivo é bem mais ambicioso.

Segundo Didier Ferreira, «o propósito é levar os jovens a ler mais,a escrever, a gostar de poesia». Um programa de acção que passa por dinamizar acções de rua (recitais de poesia ao ar livre), e criar núcleos de jovens poetas fora de Almada, agregados ao projecto.

Para já, têm um blogue - http://jovenspoetasvadios.blogspot.com/ - e prometem para breve um canal de vídeos no Youtube.Mas querem, também, promover encontros de jovens poetas, para reactivar a tradição das tertúlias poéticas.

Outros objectivos são a criação de uma oficina de poesia e o lançamento de edições dos jovens poetas que participem no movimento.

Mas isso, avisa Didier, são projectos «a médio prazo».

No imediato, os Jovens Poetas Vadios vão continuar a colaboração com o projecto Poetas Almadenses. Mas não perdem de vista o objectivo principal: incentivar os jovens a escrever, a gostar de poesia, a participar em actividades culturais.

E contrariar o "envelhecimento" da poesia.


Didier Ferreira defende que «um dos nossos objectivos claros é contrariar a tendência do envelhecimento da poesia» pois, considera, «tal como o país está a envelhecer claramente, também acontece que os poetas se revelam cada vez mais tarde».


Entrevista completa com Didier Ferreira, Alexandre Soares e Filipa Filipe (fundadores do movimento Jovens Poetas Vadios) em:
http://vitorinices2.blogspot.com/2009/02/jovens-poetas-vadios-nascem-em-almada.html



António Vitorino

(Fotos António Vitorino e Ermelinda Toscano)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Poesia vadia, Dezembro 2008: novidades e surpresas


A apresentação do novo colectivo "Poetas Vadios" foi a grande novidade da sessão mensal de "poesia vadia" que decorreu no dia 20 de Dezembro, no Fórum Romeu Correia (biblioteca municipal de Almada). Numa sessão que contou com actuações do grupo de Cantadeiras da Alma Alentejana, foi também lançado mais um Debaixo do Bulcão, poezine que está a comemorar 12 anos de existência.

Composto por jovens escritores do concelho, que pretendem «despertar em outros jovens a vontade de ler, escrever, ou simplesmente gostar de poesia» o colectivo "Poetas Vadios" estreou-se com o lançamento de um caderno da colecção Index Poesis - Uma Dúzia de Páginas de Poesia (antologia de literatura contemporânea dirigida por Ermelinda Toscano) e leitura de alguns textos dos autores que integram o grupo. No caderno Index Poesis colaboram Sandra Marisa Gonçalves Gomes, Pedro Esteves, Dummador, Akul Ekulf, Fábio Queirós, Alexandre Soares, Nelson 'Ngungu' Rossano, João de Matos, Ramires e Didier Ferreira. Mas os responsáveis do grupo afirmaram a sua intenção de abir as portas a novos autores que com eles queiram colaborar. (Mais informação em http://jovenspoetasvadios.blogspot.com/)

Fugindo à rotina, a sessão mensal de "poesia vadia" abriu com a actuação do grupo de Cantadeiras da associação Alma Alentejana. O coro de vozes femininas daquela associação de solidariedade social contribuiu, assim, para tornar ainda mais especial a sessão natalícia de "poesia vadia" que, refira-se, decorreu pela primeira vez no espaço nobre da biblioteca central de Almada.
Novidade já não é o lançamento de mais uma edição do Debaixo do Bulcão poezine. A publicação nasceu em Almada há 12 anos (em Dezembro de 1996). Para comemorar a data, divulgou, na sessão de "poesia vadia" um número especial de aniversário: numero trinta e quatro e meio, por se tratar de uma edição reduzida e, excepcionalmente, aberta apenas a convidados. A próxima edição está já a ser preparada, para sair em Março, e aceita colaborações de todos os interessados. (Blogue em http://debaixodobulcao.blogspot.com/)


António Vitorino (texto e fotografias)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Poesia Vadia dos poetas almadenses...











"Poesia Vadia" é a designação das sessões mensais de convívio entre poetas e o seu público. Dinamizadas por Ermelinda Toscano (escritora e editora almadense) e pelo projecto Poetas Almadenses, acontecem nos últimos sábados de cada mês, no espaço do Le Bistro Café, em Almada (junto à Igreja das Andorinhas, à entrada da Rua Capitão Leitão...).



As fotos, de Rui Tavares, documentam a Poesia Vadia de Novembro 2008.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Armindo Rodrigues - O poeta do lirismo que nos interroga e inquieta



(artigo de Domingos Lobo, publicado no semanário Avante! )


A primeira abordagem que fiz à poesia do Armindo Rodrigues foi através de José Gomes Ferreira. Teria eu, por essa altura, os meus treze anos e já muito descaramento. Encontrava o autor de Eléctrico à mesa do Monte Carlo (os poetas que eu admirava, nesse tempo, frequentavam cafés como o comum das gentes, não arvoravam poses de vedetas em transe, nem eram empertigados inacessíveis) e impingia-lhe os meus trôpegos poemas. À mesa, o José Gomes – com o Carlos de Oliveira, o Abelaira (nem sempre), o Mário Castrim – lia a coisa e determinava solene: Este, Castrim, merece publicação no teu Juvenil.


Numa dessas manhãs de fuga ao liceu, o José Gomes Ferreira recomendou-me, para te afastares desse romantismo imberbe, rapaz, leituras de poemas de Armindo Rodrigues e Manuel da Fonseca.
A biblioteca das Galveias, meu poiso habitual de leituras por grosso tinha, nos fundos perdidos de uma estante, dois livros do Armindo Rodrigues: A Vida Perto de Nós e Paz Interior. E foi uma descoberta tão esfuziante, tão emocionada, que me recordo de ler aos meus amigos, como eu igualmente deslumbrados pela claridade rasante daquela escrita, nessa mesma noite, uma série de poemas de Paz Interior.
Com os poemas do Manuel da Fonseca tive menos sorte: só um ano e picos depois do José Gomes mo ter recomendado é que consegui ler Rosa-dos-Ventos, numa velha edição que o meu amigo Vladimiro Franklin trouxera de Santiago do Cacém e que guardava religiosamente. Essa usura púbere não nos impediu de irmos parar à esquadra de Santa Marta por andarmos a ler, a desoras e aos berros, em plena Avenida da Liberdade, o poema Domingo.
O novo que a poesia de Armindo Rodrigues nos revelava, não era de estilo ou de ruptura (havia então, um tanto por culpa da Presença, e ainda hoje persiste na literatura portuguesa, a estranha obsessão do estilo, vertigem essa que tenta esconder, na maior parte dos casos, o vazio de pensamento) era, sobretudo, de conteúdo. A poesia de Armindo Rodrigues abria ao pensamento e à reflexão, ao questionar-se, ao interrogar-se, o poeta interrogava-nos. Era, desse modo, em sua orgânica substância, uma poesia incómoda e subversiva, alheia, no entanto, aos modismos panfletários cuja exaltação raramente correspondia a uma coerente e efectiva maneira de estar na vida (e na poesia) dos seus autores.


A memória e a esperança às vezes dão-se as mãos.
São as horas cruciais em que o mundo desperta.
Então, só os homens vãos é que não são irmãos.
Então, nem uma porta há que não seja aberta.

in «Sabor do Tempo».


Da têmpera de que são feitos os homens de coragem, de «antes quebrar que torcer», Armindo Rodrigues cedo assumiu a sua condição de opositor ao fascismo, cedo ergueu a sua voz indignada contra a opressão, cedo conheceu as masmorras da PIDE. Essa sua postura cívica está patente nos últimos versos do belíssimo poema – eivado de nostalgia pelos caminhos da infância, de resto, só tenho saudades do futuro, escreveu nas suas memórias – no qual o poeta evoca o avô, lutador contra a Monarquia, e relembra uma visita ao Alentejo, espaço mítico (esse chão vermelho) que ocupa um lugar sentido (e sofrido), em diversos poemas da sua vasta obra: Meu avô/tem confiança/na decisão do teu neto,/que nunca te negará/nem baixará o olhar,/mesmo que o ponham de rastos,/mesmo que o queiram matar (2). Esta postura de coragem, reflecte o carácter vertical do poeta, médico e comunista, que Armindo Rodrigues sempre foi no percurso de uma longa, singular e profícua existência de quase 90 anos (1904-1993).


Para as novas gerações, para aqueles a quem, de forma insensata e suicida, os poderes instalados tentam expurgar a memória do que foram os 50 anos de fascismo (e não basta, por muito meritórios, importar modelos televisivos, para que a memória cumpra o seu dever histórico de esclarecer e inquietar) e que, hipocritamente, vai permitindo que neste vazio ideológico alguns saudosistas e revanchistas travestidos de democratas, pretendam erguer em Santa Comba Dão (terra que não tem culpa que os ditadores nasçam em seu chão) um monumento ao fascismo, que se tornará, a ser construído, santuário para romagens de agravados de todos os cantos da Europa reaccionária, recomendo o livro de memórias de Armindo Rodrigues, livro a vários títulos notável, que o poeta escreveu em final de vida, intitulado Um Poeta Recorda-se (Edições Cosmos). Se o desnorte intelectual e pedagógico não campeasse ufano pelas ministeriais cabeças da 5 de Outubro, este livro há muito seria de leitura recomendada no ensino secundário (e O Irreal Quotidiano, Gaveta de Nuvens, O Sabor das Trevas, de José Gomes Ferreira).
Mas a memória, sobretudo a do período mais negro do salazarismo, é para esquecer não vá o Povo começar por aí a congeminar e não descobrir, no conteúdo das políticas, grandes diferenças entre o fascismo e esta socrática democracia.


Do poeta solidário, questionador insubmisso da realidade portuguesa, sabemos-lhe os versos, apesar das tentativas subterrâneas de escamoteamento – os versos estão aí publicados, perfazendo 24 títulos, sem esquecer a notável antologia organizada por José Saramago, O Poeta Perguntador – versos que continuam a incomodar, vivos de denúncia e actualidade: lá fora o calor abrasa./Aqui em casa, está fresco,/e para aumentá-lo ainda/regou-se o chão de ladrilho./Mas é aqui que o calor/lá de fora me entorpece/é lá fora que os meus sonhos/se sonham, ermos e aflitos (3).


Dos sonhos de Armindo Rodrigues, dos sonhos que sonhamos acordados, vividos na rua, ungidos na luta, estamos prenhes, até porque a realidade deste país continua a convocar-nos a indignação e a revolta e, por isso, com o poeta estamos nessa denuncia amarga e a cada dia mais urgente: E o futuro começou com a Revolução mais grandiosa e profunda de que a Humanidade, na sua convulsa história foi capaz, e continua, e há-de continuar a frutificar, onde quer que a injustiça, a infâmia e a exploração campeiem, para final triunfo da igualdade, condição sem a qual a liberdade é vácua, e desespero de todos os grandes capitalistas poderosos e sem escrúpulos, e os seus lacaios arrogantes e sem vergonha. Só isto não vê quem teima em ser cego, e prefere à fraternidade franca a ganhuça sórdida, à paz universal a opressão e a sangueira, ao progresso efectivo para todos a sua exploração em benefício de alguns, ao trabalho o desemprego, à abundância a fome, à cultura a ignorância, ao amor o ódio (4).
Armindo Rodrigues é o poeta da palavra exacta, certeira, lisa e dúctil, onde perpassa a essência da vida e do sentido mais extenso da fraternidade e do pensamento num mundo outro e melhor, com a firmeza das convicções, mesmo quando o rumor da dúvida existencial as percorre indelével:



RUMO

Ergue-se
do mundo
em mim o que sou.
Estou talvez só.
Mas com decisão
na dor o aceito.

Que importa o rumo
por que sigo
ser imperfeito?

Exacto e duro,
tudo procuro
compreender.
Pensar é ir.
Ir é ser. (5)



Um poeta a descobrir, a redescobrir, de pé, com os sentidos bem despertos, como o José Gomes Ferreira fez comigo há quarenta e muitos anos – um poeta que traz, no atilho das palavras ainda urgentes, o futuro aceso.



(1) – Literatura e Luta de Classes – de Augusto da Costa Dias (Editorial Estampa)

(2) – Romanceiro e Canções de Um Menino Perdido – Armindo Rodrigues (Soc. de Expansão Cultural)

(3) – idem

(4) – Um Poeta Recorda-se – Armindo Rodrigues (Edições Cosmos)

(5) – A Esperança Desesperada – Armindo Rodrigues (Soc. Expansão Cultural)


Domingos Lobo

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Sebastião da Gama nas telas da Ecosd’Art



Tendo como objectivo homenagear o poeta e escritor Sebastião da Gama, a Ecosd’Art – Associação Cultural inaugurou no passado dia 12 de Abril, em intercâmbio com a Associação Cultural Sebastião da Gama, uma exposição de pintura de homenagem ao poeta da Arrábida.

Este evento cultural, integrado no programa festivo do 84.º aniversário do nascimento do poeta, está patente no Club Setubalense (ao lado do edifício da Aerset, em Setúbal) até ao dia 26 de Abril.

Tendo como principal lema ‘Pelo Sonho é que vamos’, a Ecosd’Art resolveu envolver-se na celebração do Dia Municipal da Arrábida, lançando aos seus artistas o repto de transpor para as paletas testemunhos daquele que foi o mais fiel pintor da ‘serra-mãe’.

Num valioso testemunho pictórico, estão expostos 29 trabalhos de Abílio António Pereira, Adelina Pereira, Amélia de Sousa, Ana Maria Godinho, Anabela Santos, António Lisardo, Cristina Ramalho, Fátima Alface, Fernanda Marialva, Idalina Meirinhos, Irene Delmar, Isabel Pena, Jaime Fidalgo, Maria Adelaide Fonseca, Manuel Garcia, Manuel Maia, Maria do Céu Batista, Maria do Céu Cardoso, Mary Carvalho e Teresa Quintela.

De salientar que no excelente desdobrável da exposição está inserido o notável poema ‘Arrábida’, de Artur Vaz, presidente da Ecosd’Art, ao qual extraímos:

Misteriosa
bela e encantada.
És para mim
o que foste
para Sebastião da Gama,
Um paraíso
Místico e espiritual.

Fonte
a brotar poesia
sobre o Sado,
que, em ninfas
de tule e âmbar,
envolve Tróia
num véu nupcial.


Para além dos artistas, estiveram presentes várias individualidades locais, entre as quais se salienta Joana Luísa Gama, viúva do homenageado. Abriu a exposição Helena Matos, presidente Club Setubalense, que depois de agradecer às duas associações considerou ser para a colectividade que preside «uma honra expor tão raro acervo de arte».

Seguiu-se João Reis Ribeiro, presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama, que teceu em traços muitos gerais o perfil do escritor e pedagogo, salientando que as obras ali expostas «representam as inúmeras maneiras de interpretar a mensagem da obra e da vida de Sebastião da Gama», dando depois a palavra a Artur Vaz, que peremptoriamente disse: «esta exposição representa para além de acto cívico um verdadeiro e justo testemunho, pois a memória de Sebastião da Gama está sempre presente na nossa associação». Para finalizar, usou da palavra Ana José Carvalho, em representação do município de Setúbal, afirmando: «é de louvar esta exposição, integrada no programa de comemorações, que a autarquia está a levar a cabo no aniversário do poeta».

Eis pois uma mostra a não perder – pois tal como Sebastião da Gama nos diz no seu Diário, em1958, é preciso saber olhar, e nesta exposição está bem patente em cada quadro um pouco do seu caminho e dos seus murmúrios pela Arrábida.


Publicado no jornal Notícias da Zona
quinzenário, nº. 121, de 14 a 27 de Abril de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Tempo Meu" - poesia de Alexandre Castanheira

CANTO NOVO DA ALEGRIA

(À memória de Manuela Bento e Cezarina Marques
do Coral Canto Novo)

É próprio do homem sonhar
com um futuro são, risonho,
que nos dê vontade de cantar
a realidade vinda do sonho.

Só esse canto é que se diz novo
pois abre as estradas do porvir;
só esse é amado pelo povo
que em vez de sofrer quer sorrir.

Assim pensava Manuela Bento,
discreta mulher mas muito firme
no dar à esperança o complemento
de um canto de certeza que se afirme.

Tal como a coralista Cezarina
- ambas capazes de afastar obstáculos
(como se fosse essa a sua sina!)
p’ra ‘starem presentes nos espectáculos

que fossem p’ra levar para diante
a voz cantada do bem querer,
que o povo oiça e se levante
e ponha fim a todo o padecer.

Marcaram o Coral eternamente,
merecem ser lembradas por nós:
seu Canto Novo enche-nos a mente
da vontade de a todos se dar voz.

Sempre que ouvimos o seu Coral
continuamos a tornar novo o canto
cuja missão é dar luta ao mal
e fazê-lo cantando com encanto.

Em qualquer lado em qualquer sala,
conjugamos em poema e harmonia
esta determinação que não se cala
de fazer reinar no mundo a alegria.

Alexandre Castanheira


poema incluído na obra
"Tempo Meu"

caderno nº 62 da colecção
Index Poesis - Uma Dúzia de Páginas de Poesia"
Edição Poetas Almadenses, Fevereiro 2008

Mais poemas do autor, no blogue Debaixo do Bulcão:


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Poesia Vadia - Janeiro 2008

Após um interregno de seis meses, a Poesia Vadia voltou... Devido ao encerramento do café Sabor & Art (antigo Café com Letras – local onde, em 2003, nasceram estas sessões), o grupo dinamizador desta iniciativa ficou sem lugar onde realizar estes encontros mensais, que ocorrem sempre no último sábado de cada mês.

Assim, no passado dia 26, pelas 17h 30m, e durante cerca de duas horas, a poesia ocupou o salão de festas da Casa do Algarve, cuja direcção gentilmente disponibilizou as suas instalações para que estes encontros possam ocorrer até que os “Poetas Almadenses” encontrem um outro local na freguesia de Cacilhas, terra natal da Poesia Vadia.

Apesar de se ter apostado bastante na divulgação da sessão (através da Agenda Cultural do município, envio de convites por e-mail e de mensagens por telemóvel, além do contacto pessoal), estiveram presentes apenas cerca de trinta pessoas (houve meses em que se ultrapassou as seis dezenas), o que lamentamos. Contudo, considerando a suspensão havida (o que terá feito quebrar o hábito a muitos dos frequentadores assíduos) e o facto de a Casa do Algarve se encontrar localizada numa travessa pouco conhecida, a organização ficou muito satisfeita.


No que toca à sessão propriamente dita, e como as fotografias o documentam, a mesma foi bastante diversificada: Alexandre Castanheira, António Afonso (que teve a sua estreia e nos deixou 12 poemas inéditos para edição de um caderno Uma Dúzia de Páginas de Poesia), António Boieiro, Francisco Bernardes-Silva, Gabriel, Gertrudes Novais, Henrique Mota, Idalina Rebelo, José Nogueira Pardal, Ofélia e Rosette Coelho declamaram vários poemas e contribuíram para que todos passassem uma tarde animada ouvindo poesia.

No final, os Poetas Almadenses ofereceram ao presidente da direcção da Casa do Algarve três livros de poesia e o CD Poetas & Vozes D’Almada como forma de agradecimento.

Ermelinda Toscano
(texto e fotos)






Foto-reportagem completa no blog Poetas Almadenses: