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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

13 anos de Música Moderna em Almada: uma retrospectiva

Desde a "Mostra Zero", em 1995, até à actualidade - percursos e histórias das bandas almadenses, em exposição no Fórum Municipal Romeu Correia

Num momento em que decorre o 5º Concurso de Música Moderna de Almada, a biblioteca municipal teve a feliz ideia de exibir alguns materiais que documentam a história deste evento, desde as suas origens, em 1995 (com a "Mostra Zero"), até ao modelo actual.
Cartazes, recortes de imprensa, folhetos e maquetes das bandas, compõem esta exposição, patente até ao final do mês, na Sala Multimédia do Fórum Romeu Correia.

Horário: Terça a Sábado, 10h00 - 18h00
Encontram mais informação sobre as mostras de música moderna e sobre o trabalho das bandas de Almada durante os anos 90 aqui:

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Sebastião da Gama nas telas da Ecosd’Art



Tendo como objectivo homenagear o poeta e escritor Sebastião da Gama, a Ecosd’Art – Associação Cultural inaugurou no passado dia 12 de Abril, em intercâmbio com a Associação Cultural Sebastião da Gama, uma exposição de pintura de homenagem ao poeta da Arrábida.

Este evento cultural, integrado no programa festivo do 84.º aniversário do nascimento do poeta, está patente no Club Setubalense (ao lado do edifício da Aerset, em Setúbal) até ao dia 26 de Abril.

Tendo como principal lema ‘Pelo Sonho é que vamos’, a Ecosd’Art resolveu envolver-se na celebração do Dia Municipal da Arrábida, lançando aos seus artistas o repto de transpor para as paletas testemunhos daquele que foi o mais fiel pintor da ‘serra-mãe’.

Num valioso testemunho pictórico, estão expostos 29 trabalhos de Abílio António Pereira, Adelina Pereira, Amélia de Sousa, Ana Maria Godinho, Anabela Santos, António Lisardo, Cristina Ramalho, Fátima Alface, Fernanda Marialva, Idalina Meirinhos, Irene Delmar, Isabel Pena, Jaime Fidalgo, Maria Adelaide Fonseca, Manuel Garcia, Manuel Maia, Maria do Céu Batista, Maria do Céu Cardoso, Mary Carvalho e Teresa Quintela.

De salientar que no excelente desdobrável da exposição está inserido o notável poema ‘Arrábida’, de Artur Vaz, presidente da Ecosd’Art, ao qual extraímos:

Misteriosa
bela e encantada.
És para mim
o que foste
para Sebastião da Gama,
Um paraíso
Místico e espiritual.

Fonte
a brotar poesia
sobre o Sado,
que, em ninfas
de tule e âmbar,
envolve Tróia
num véu nupcial.


Para além dos artistas, estiveram presentes várias individualidades locais, entre as quais se salienta Joana Luísa Gama, viúva do homenageado. Abriu a exposição Helena Matos, presidente Club Setubalense, que depois de agradecer às duas associações considerou ser para a colectividade que preside «uma honra expor tão raro acervo de arte».

Seguiu-se João Reis Ribeiro, presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama, que teceu em traços muitos gerais o perfil do escritor e pedagogo, salientando que as obras ali expostas «representam as inúmeras maneiras de interpretar a mensagem da obra e da vida de Sebastião da Gama», dando depois a palavra a Artur Vaz, que peremptoriamente disse: «esta exposição representa para além de acto cívico um verdadeiro e justo testemunho, pois a memória de Sebastião da Gama está sempre presente na nossa associação». Para finalizar, usou da palavra Ana José Carvalho, em representação do município de Setúbal, afirmando: «é de louvar esta exposição, integrada no programa de comemorações, que a autarquia está a levar a cabo no aniversário do poeta».

Eis pois uma mostra a não perder – pois tal como Sebastião da Gama nos diz no seu Diário, em1958, é preciso saber olhar, e nesta exposição está bem patente em cada quadro um pouco do seu caminho e dos seus murmúrios pela Arrábida.


Publicado no jornal Notícias da Zona
quinzenário, nº. 121, de 14 a 27 de Abril de 2008

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Imprensa de Almada em exposição no Arquivo Histórico

(Arquivo Histórico de Almada - foto António Vitorino)


A Imprensa Periódica em Almada: 200 anos de história é o título da 15ª mostra documental patente ao público na sala de exposições do Arquivo Histórico de Almada, de 3 de Abril a 11 de Julho de 2008.

A mostra bibliográfica pretende dar uma panorâmica geral sobre a imprensa local almadense, no período compreendido entre os séculos XIX-XXI. Esta relação de periódicos, ainda que incompleta, divulga uma grande parte do acervo existente no sector de periódicos desta instituição, bem como outros títulos também editados em Almada, que poderão ser consultados na Biblioteca Nacional e na Hemeroteca da C.M. de Lisboa.

São duzentos anos de imprensa regional, que desde a segunda metade do século XIX, fazem transparecer os múltiplos aspectos de ordem ideológica, social e cultural da comunidade de Almada.

Os jornais eram a principal fonte escrita de informação e expressão, reflectindo quase sempre as ideologias do seu director ou do grupo que o apoiava, quer na defesa dos interesses políticos e sociais, quer na divulgação de notícias de interesse local. A maior parte destes órgãos de informação tinham uma vida bastante curta, não indo além do primeiro ou dos primeiros números.

Almada surge, pela primeira vez, referenciada no jornal “A Gazeta de Almada”, em 1808. Era composto por uma folha periódica, da qual se publicaram vários números. Este jornal caracterizava-se como sendo mordaz e irónico, com o objectivo de desmoralizar ou ridicularizar as tropas francesas que haviam invadido Portugal.

Como a imprensa se expandia a bom ritmo, não é de estranhar que a opinião pública ganhasse expressão e ocupasse um lugar de destaque nas preocupações dos liberais. Em 1822 regulamenta-se a liberdade da imprensa em Portugal, o que faz com que aos poucos esta vá perdendo o seu carácter apenas informativo, surgindo assim um tipo de imprensa que serve novas correntes e ideais meramente políticos e partidários. A chamada imprensa revolucionária. A sua função não se limita a defender ideais, a educar politicamente ou a ganhar aliados. O jornal não é só considerado um propagandista colectivo e um agitador de classes, mas também um organizador colectivo.

Em 1899 surge em Almada o jornal “O Corticeiro: semanário operário, órgão da indústria corticeira e do proletariado em geral», que continha na grande maioria dos seus artigos críticas ao regime, ao patronato e às más condições sociais em que viviam os trabalhadores e suas famílias.

Com o “Estado Novo”, a actividade jornalística complica-se e, pela primeira vez, em Junho de 1926, os jornais fazem alusão à célebre menção “Este número foi visado pela Comissão de censura”, limitando-se a reproduzir notícias que não colidam com os superiores interesses da Nação. O “lápis azul” riscou notícias, peças de teatro e livros, apagou anúncios publicitários, caricaturas e pinturas. Durante este período conturbado muitos jornais e revistas deixaram de ser editados e outros voltam-se para as notícias de carácter associativo e a sua actividade cultural.

Podemos concluir que o desenvolvimento da imprensa Periódica em Almada foi a todos os níveis notável, com jornalistas de vulto e alguns jornais com história e grande influência local, proporcionando a união de classes, o desenvolvimento e consolidação das fortes tradições populares e associativas da região.